É sobre a lã e sobre todo esse mundo, que me entusiasma e fascina, que irei escrever por aqui. Das ovelhas, que nos dão a lã, até chegar ao novelo que nos vem parar às mãos, há muito caminho no meio para explorar. Mas vamos por partes, ou melhor, por artigos.

Tricotar uma camisola à mão pode ser uma loucura (leva tempo, muitas horas!). Mas tricotar uma camisola à mão com lã portuguesa, natural e saber a sua origem, acho que é uma loucura muito melhor!

Podem perguntar porquê tricotar uma camisola, quando posso comprar uma já feita em qualquer loja e que me custa menos dinheiro e dá pouco trabalho? E porquê interessar-me e preocupar-me em tricotar uma camisola com lã portuguesa e natural, quando esta lã tem um valor mais elevado e nem sempre é tão acessível a sua venda ao grande público? E eu pergunto de volta: já experimentaram olhar alguma vez para as etiquetas dessas camisolas, ver as fibras com que são feitas? Como são feitas? Imaginar quem são as pessoas que as fazem? Pensar porque têm um valor baixo?

Comecei toda a minha aventura no mundo da lã ao questionar-me sobre tudo isto. Tricotar uma camisola (ou qualquer outra peça) para mim ou para outra pessoa tem muito mais valor. Por exemplo, se pedires a alguém que tricote uma camisola para ti, estás a valorizar o seu trabalho, o seu tempo, a sua criatividade, e para além disso, estás a contribuir também para um mundo mais sustentável, mais solidário, mais feliz.

Conhecer a fibra com que trabalho é essencial e, se for de origem portuguesa, ainda melhor! Defendo o uso da fibra nacional, natural e orgânica. Em Portugal defendo o usa da lã portuguesa. Defendo e partilho projetos que, felizmente, já se dedicam a comercializar lã portuguesa, na maioria de produções artesanais, e que não utilizam elementos químicos nem qualquer adição de fibras sintéticas.

Os meus trabalhos de tricot são realizados com lã portuguesa. Gosto, por vezes, de experimentar outras marcas internacionais, marcas que são fruto de processos artesanais e negócios familiares. Acreditem que assim sou muito mais feliz. Sou muito mais feliz porque sei a origem do novelo de lã que tenho nas minhas mãos e é tão bom trabalhá-lo. É tão diferente trabalhar uma fibra natural de uma sintética. Experimentem!

Sentir fibras naturais na pele enquanto trabalho. Vestir uma peça de roupa com todas estas características é uma sensação, por vezes, difícil de descrever. Há quem tenha muito a ideia de que a lã pica. Na minha opinião, a lã não pica. A lã é das melhores fibras naturais existentes no mundo e das mais versáteis: é impermeável, é resistente, é elástica, é flexível, é suave…

Também sou mais feliz porque estou a valorizar o património português, a cultura portuguesa, as nossas raças ovinas, e principalmente, as pessoas que trabalham e vivem da produção de lã. Sou mais feliz sempre que aprendo alguma coisa nova relacionada com o mundo maravilhoso da lã e desde que comecei a aprender todo o processo pelo qual a lã passa desde a ovelha até ao novelo, fico sempre fascinada ao pensar que ideia magnífica teve alguém um dia para olhar para uma ovelha (ou um rebanho delas!) e perceber que poderia utilizar a fibra do seu pelo para produzir agasalhos… Sorte a nossa que temos ovelhas!

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