Os Açores, nove ilhas remotas, localizadas entre os 36° e os 43° de latitude Norte e os 25° e os 31° de longitude Oeste, entre a América do Norte e a Europa.

Durante longos anos ignoradas por ambos os continentes, com a exceção de uma pequena base militar dos Estados Unidos, as ilhas eram vistas simplesmente como o sítio onde as vacas pastavam felizes em campos de erva verdejante, produzindo lacticínios de uma qualidade invulgar.

Contudo, os Açores têm vindo a sofrer algo quase inédito na sua história – a atenção de estrangeiros e agentes turísticos, como uma destino privilegiado para aqueles que pretendem estar em contato com a natureza sem prescindir do comodismo e da segurança do cantinho mais ocidental da Europa.

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Com quatro locais nomeados como uma reserva da biosfera pela UNESCO, melhor destino de 2016 pela revista holandesa Traveler, da National Geographic, e outras inúmeras distinções, visitar os Açores tornou-se moda.

E como se sentem os açorianos e as suas vacas felizes sobre tudo isto? Ambivalentes como sempre, pois este é um povo habituado a tormentas como vulcões, terramotos, furacões, refugiado na crença que o Espírito Santo e o Santo Cristo irão prover a salvação, mesmo que esta assuma a forma de um pálido escandinavo feliz por despender uns euros numa economia local que já viu melhores dias.

Os habitantes das ilhas fazem ponto de honra em afirmar, nos seus variados sotaques locais, que falar dos Açores não é falar de São Miguel, a maior e mais povoada ilha do arquipélago, é falar de nove destinos, gentes, experiências, sabores e vivências únicas.

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O turista que queira explorar as ilhas pode visitar o ponto mais alto de Portugal ao subir a montanha do Pico na ilha com o mesmo nome, desfrutar da beleza (e das amêijoas) da Fajã de Santo Cristo na Ilha de São Jorge, participar nas touradas de rua ou visitar Angra do Heroísmo, cidade património da humanidade na ilha Terceira, percorrer os trilhos e lagoas da ilha de São Miguel, ou o ponto mais ocidental da Europa na ilha das Flores, entre um sem número de maravilhas naturais e culturais dispersas pelo arquipélago, todas à distancia de uma viagem de avião ou de barco.

Uma terra de lavoura e de pescadores, onde o turista poderá desfrutar do melhor peixe e marisco fresco que o atlântico pode prover; onde há queijos, enchidos e cozidos que tanto podem vir de uma cozinha com um forno de lenha ou de uma cova no chão, cozinhados ao sabor do vulcanismo local; onde se pode provar a única plantação de chá na Europa, o ananás de São Miguel ou os vinhos oriundos do solo vulcânico do Pico.

Descobrir os Açores é voltar atrás para uma altura menos complicada das nossas vidas, é saborear não só as paisagens e a gastronomia, como também o delicioso encurtar das distâncias entre as pessoas e o meio que as rodeia. Essa simplicidade torna-se contagiante: a troca de planos pelo inesperado ou o toque impessoal da cidade pela hospitalidade de uma gente que vê uma cara estranha como uma oportunidade para contar uma história de como podemos ir a pé de uma ilha para a outra na maré baixa.

Com as companhias aéreas low-cost, como a EasyJet e a RyanAir, a disponibilizarem passagens agradáveis às bolsas de uma Europa em crise e com o Governo Regional dos Açores a estabelecer tarifas aéreas e marítimas acessíveis entre as várias ilhas, as desculpas para não dar uma escapadinha nunca foram tão poucas.

 

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