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LAS VEGAS

Esta é a parte em que eu me confesso. Não sei se já repararam, mas esta road-trip já teve um autocarro e agora vai ter um avião. Sim, foi uma batota. Mas com os dias que tínhamos tivemos de cortar algumas das paragens. Um dos estados sacrificados foi o Texas. Assim, apanhámos um táxi para o aeroporto de Nova Orleães, fizemos uma escala rápida em Dallas e aterrámos em Las Vegas ao final do dia.
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Não obstante, também foi aqui que começou a nossa verdadeira road-trip. Fomos directamente ao balcão da Hertz e levantámos a nossa reserva com mais alguns extras. Estejam preparados para isso – há alguns que valem a pena. No nosso caso estávamos a levantar um carro que seria depositado noutro lugar, portanto só esse facto aumenta o preço. No entanto, é uma opção muito confortável para quem faz uma viagem assim.

Na grande maioria os carros têm mudanças automáticas. Eu estava assustada porque nunca tinha conduzido um carro som mudanças automáticas, mas na verdade até é mais fácil. Só tive de me habituar a esquecer que tenho uma perna esquerda e uma mão direita.

Do aeroporto até ao hotel foram 10 minutinhos. Tenho a dizer que chegar a Las Vegas durante a noite é algo de especial: a cidade brilha e por todo lado é possível ver mulheres de vestidos curtos e saltos longos, bem como homens de fato.

O nosso hotel era na Sunset Strip, mais uma vez tivemos a preocupação de ficar no centro, apesar de termos já um carro ao dispôr. Com a mudança horária de Nova Orleães para Las Vegas demos por nós a ficar cansados bem cedo. Guardámos a noite seguinte para apreciar mais de Las Vegas. No entanto, não deixámos de apostar qualquer coisa no casino do nosso hotel. Não ganhámos nada.

O dia seguinte foi repartido entre dever e lazer. Durante a manhã mergulhámos no Walmart mais próximo para comprar o que precisávamos para a parte mais aventureira da viagem. O plano era acampar dali para a frente: o estado do Arizona é rico em parques naturais e visitar os EUA sem visitar o Grand Canyon era impensável para mim.

Uma das coisas que decidimos comprar no local, em vez de transportar, foi a tenda. Tínhamos feito uma pesquisa rápida de preços e percebemos que compensava. No fim da viagem também não a trouxemos connosco. De resto, a maioria das compras foi comida de campismo e afins. No que toca a comida durante uma road trip, para nós foi importante que houvesse sempre snacks de fácil acesso – bolachas de chocolate neste caso – evitou muitas discussões por cansaço e falta de energia.

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Depois das obrigações voltámos para viver Las Vegas mais a sério. Começámos por aproveitar o pôr do sol na piscina do hotel, acompanhados de uma das bebidas típicas: um copo alto feito de plástico cheio de um cocktail feito com muito gelo. À noite fomos espreitar um dos musts de Las Vegas: o espectáculo de luzes do Bellagio. Passámos por alguns casinos – inclusive o mais antigo que ainda funciona: Flamingo. Apostámos mais uns doláres numa roleta do Mirage e jantámos no Bubba Gump Shrimp com uma vista fantástica sobre a strip.

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Como não podíamos sair de Las Vegas sem uma fotografia na famosa placa, aproveitámos a manhã seguinte para passar por lá. É a única placa que conheço com o seu próprio parque de estacionamento. Normalmente há uma fila para que alguém tire a foto em troca de gorjetas, mas não quisemos ficar na fila e tirámos algumas fotos de lado que ficaram aceitáveis.las-vegas-sign

BRYCE CANYON

A partir daqui assumimos o risco de não ter reservas. Queríamos sentir a liberdade de conduzir e descobrir locais fora do mapa e poder acampar aqui ou ali. A primeira aposta foi falhada. Conduzimos até ao Parque Nacional de Zion e não tivemos lugar para acampar. Aproveitámos para comprar o passe para os parques nacionais (80 dólares por entradas ilimitadas em parques com o preço de entrada em média de 30 dólares) e seguimos para Bryce Canyon. Durante o planeamento da viagem, considerámos o passe ou pagar individualmente e percebemos que poupávamos cerca de 30 dólares tendo o passe.bryce-canyon

A estrada número 9 já dá para sentir um pouco de Zion, mas chegámos a Bryce Canyon ao final do dia e ficámos deslumbrados. Na manhã seguinte fizemos um percurso chamado Queen´s Garden que desce ao centro das formações rochosas e volta a subir. Corvos, veados e esquilos foram nossos companheiros pelo passeio. No dia seguinte visitámos uma cascata e uma gruta de musgo.zion-park

ANTELOUPE LOWER CANYON

Estar no estado do Utah, com uma tour marcada para as 9h30 no estado do Arizona, obrigou-nos a madrugar. Uma das únicas reservas que fizemos nesta parte da viagem foi a visita ao Anteloupe Canyon. Há duas faixas: Anteloupe Upper Canyon e Anteloupe Lower Canyon. Pelo que lemos nos guias, optámos pelo Lower Canyon, uma vez que é mais extenso.

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Uma das coisas com a qual não contámos foi a mudança horária. A nossa sorte foi que ganhámos uma hora e até acabámos por fazer a tour mais cedo, já que havia vagas. Esta formação foi criada pela acção do vento, água e sol, factores que transformaram areia em rocha. O resto foi trabalho de terramotos, que abriram a fenda que visitámos.

Anteloupe foi muitas vezes usado pelos nativos para se protegerem dos caçadores já que não é fácil encontrar esta abertura no chão. Foi dos sítios mais bonitos onde já estive na vida. O nosso guia era fantástico e além da beleza, acabámos por ficar a saber mais sobre a história nativa. Vale a pena tirar fotografias, mas vale ainda mais a pena olhar à volta e apreciar a beleza que vos rodeia.

GRAND CANYON – NORTH RIM

Conduzir até ao Grand Canyon não é fácil e são necessárias 4 horas para chegar da parte norte à parte sul. North Rim é menos turístico, mais fácil para quem quer acampar e tem vistas ainda mais bonitas que a parte sul, mas já lá vamos.

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Não tínhamos muitas esperanças de conseguir acampar dentro do parque nacional porque esgota com facilidade e há sempre reservas feitas com meses de antecedência. Mas sempre ouvi dizer que perguntar não ofende e parece que até dá frutos: nesse dia o parque de campismo teve 2 cancelamentos e nós pudemos ficar por uma noite.

Era tudo o que queríamos. Como ainda tínhamos algumas horas até ao pôr-do-sol fomos fazer o trilho até Bright Angel Point e foi maravilhoso ver a vista ao longo do percurso. O ponto que mostra a maior parte do Canyon é de cortar a respiração.

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Não vou esconder que as minhas maiores expectativas estavam reservadas para o Grand Canyon. Tive a sorte de poder visitar a parte Norte e a parte Sul e sinto-me grata por isso. Vi pores-do-sol como nunca vi em mais lado nenhum e a natureza é majestosa.

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Na manhã seguinte optámos por ver o parque da forma mais americana: a conduzir. Fomos parando em vários miradouros e fizemos um trilho antes de almoçar com uma vista deslumbrante. Mas dali até à nossa próxima paragem iam ser muitas horas de viagem e queríamos chegar ainda de dia.

Este artigo também foi escrito em Inglês. Clique aqui para ler a versão inglesa.