Com o apertar dos dias quentes, chega a altura de tosquiar as ovelhas. Infelizmente, muitos pastores não aproveitam a lã e queimam-na depois da tosquia, mas já começam a haver mais pastores a vender a sua lã, muitos deles, a mercados internacionais. Desde que comecei nestas andanças, a fazer por conhecer mais sobre a lã, amigos e amigos de amigos (normalmente quem tem uma, ou duas, ou três ovelhas) vão-me dando lã acabadinha de tosquiar. Este ano recebi duas sacas de 20 quilos de lã de ovelhas da Serra da Estrela. Foi uma felicidade! A verdade é que, até agora, ainda só a lã de uma saca foi lavada. A lavagem da lã implica alguma logística própria, que na cidade se torna complicada de realizar. Mas queria contar-vos neste artigo os passos essenciais para se lavar lã, passos que fui aprendendo por experiência própria.

Os dias quentes são ideais para lavar lã. Por isso, se tiverem lã para lavar, estes últimos dias de calor são uma boa opção. E se conhecerem algum sítio que tenha uma ribeira nas proximidades, melhor! Irão precisar dela!

Normalmente a lã vem bem enrolada numa saca e ao tirá-la, devemos ter algum cuidado, sobretudo ao estendê-la num chão que deverá ser plano e cimentado.

Nesta fase, tentamos perceber que parte da lã vamos aproveitar para lavar. É nesta etapa que, também, percebemos que nem sempre os velos de lã vêm inteiros. Ou seja, uma boa tosquia dá-nos o velo de lã inteiro, e facilmente se percebe quando o estendemos no chão. Nas duas fotografias seguintes veem claramente essa diferença. Podemos dizer que o velo da segunda fotografia foi resultado de uma bela tosquia!

A seguir, separa-se a lã que será aproveitada para lavara lã que não é aproveitada para lavar pode ser útil para composto ou deitada para o lixo orgânico. Ter um bom velo de lã facilita imenso esta tarefa pois, visualmente conseguimos perceber melhor a lã mais suja e que não se aproveita (normalmente, é a parte das pernas e barriga da ovelha).

Tiram-se os carrapatos, as farpas, e algumas ervas que possam estar agarradas na lã. Durante esta etapa é normal sentirmos as mãos com alguma gordura, tal deve-se à lanolina – gordura natural da ovelha – e uma das razões pela qual lavamos a lã. Podemos também deliciar-nos a olhar para a fibra, perceber a sua textura e tamanho.

Fibra de lã.

Fibra de lã.

Para lavar a lã precisamos de pelo menos um balde grande (ou mais baldes, depende da quantidade de lã a lavar) e água quente. De seguida, mergulha-se a lã no balde e deixa-se pelo menos meia hora de molho. A água quente ajuda a amolentar a lã e a dissolver a lanolina e grande parte das outras sujidades. Quando mergulhamos as mãos nesta mistura ficam super macias!

Amolentar.

Lã a amolecer num balde de água quente.

Depois, escorre-se a lã e pode aproveitar-se esta água para regar. A lã, sendo uma fibra animal, é também natural e não polui o ambiente.

O próximo passo é passar a lã por água fria. O ideal será arranjar umas sacas (daquelas de batatas!) ou cestas grandes de vimo. Colocamos a lã dentro das sacas ou das cestas e mergulhamo-las na ribeira. Vamos sacudindo e, durante este processo, vamos vendo ainda restos de sujidade a escapar e notamos a lã a ficar cada vez mais branquinha!

Passar por água fria.

Na ribeira, a sacudir a lã dentro de sacas, passando-a por água fria.

No final, resta-nos colocar a lã a secar ao sol num chão limpo durante algum tempo – alguns dias, se for necessário.

Secar.

Lã lavada estendida ao sol a secar.

Que privilégio poder conhecer e experimentar este bonito processo artesanal. E que desejo imenso de começar a cardar e a fiar esta lã que lavámos!

Este texto foi traduzido para Inglês. Clique aqui para ler a versão traduzida.