Há já algum tempo que o conceito de dieta – numa perspectiva temporária, de sacrifício e como compensação de excessos – tem vindo a ser substituído pela concepção de alimentação saudável como estilo de vida. Os regimes alimentares – tendencialmente io-io, assentes na eliminação agressiva de grupos alimentares por inteiro (como os cereais e derivados, por exemplo) – vieram dar lugar a uma forma de estar em que a alimentação saudável tem um cariz diário e permanente. Um estilo que se complementa com exercício físico regular, horas mínimas de sono, controlo do stress e actividades de bem-estar.

Tudo aponta para que essa tendência se torne mais comum, com mais pessoas a procurarem reeducar-se ao nível da alimentação e a criarem hábitos para um bem-estar geral e duradouro. É nessa reeducação, na vontade de estarmos bem informados, que nos vemos confrontados com teorias e movimentos novos todos os dias: o “apenas” vegetarianismo de outrora é hoje acompanhado pela dieta paleo, dieta sem produtos lácteos, dieta sem glúten, entre outras. Deparamo-nos com uma infinidade de dados e teses que por vezes se contrariam entre si e não facilitam o processo de busca do melhor caminho a seguir.

É aqui que se torna importante conhecermos o nosso corpo, as nossas necessidades e o que funciona – ou não – connosco. Ler, conhecer e testar para nos adaptarmos e criarmos as nossas próprias rotinas, aquelas com que nos sentimos bem física e psicologicamente, que respondem às nossas necessidades ao nível da saúde e que respeitam os valores em que acreditamos – independentemente de modas ou tendências. Tenho vindo a fazer esse exercício com alguns alimentos – há quase dois anos que não bebo leite, por exemplo – e é daí que surge a ideia que se segue.

Há já algum tempo que quero submeter-me à experiência de passar um tempo sem consumir açúcar para perceber qual o impacto no meu organismo, humor e bem-estar. Não sou viciada em açúcar: há muitos anos que deixei de pôr açúcar no chá e no café – mais de 10 anos, logo passo dias sem tocar em açúcar – e sou selectiva quando me permito um doce – não vou facilmente por qualquer bolo de pastelaria. Se é para comer um doce, que valha a pena e que seja o meu brownie de chocolate ou o bolo de laranja (com ovos moles!) da minha mãe – momentos que invariavelmente remeto para o fim-de-semana.

Porquê o açúcar? Bom, ao contrário das restrições acima mencionadas, como os produtos lácteos, o açúcar não faz bem a nada – ou não faz falta a nada. Os lacticínios – como o leite, os iogurtes ou o queijo – contêm nutrientes essenciais para uma vida saudável (como proteína para reparação celular ou cálcio para os ossos, por exemplo) devendo fazer parte de um regime alimentar equilibrado (cada caso é um caso). O açúcar, uma vez mais, não transporta qualquer valor nutricional para o nosso organismo. Zero. Contudo, nos últimos 50 anos o seu consumo triplicou a nível mundial.

Mas vamos ao que interessa:

Desafio: 30 dias sem ingerir açúcar. Açúcar adicionado – bolos, bolachas, tostas, tostinhas, entre outros – e adoçantes naturais (como mel – vou ter de reinventar a minha granola!), deixando de fora do desafio os alimentos com açúcar naturalmente presente (como a fruta, por exemplo). Estratégia: não consumir o que à partida sei que contém açúcar e controlar todos os rótulos – pois o açúcar está escondido em todo o lado, mais do que pensamos. Objetivo: perceber como é que o organismo reage e se adapta, qual o efeito no humor e na disposição geral e qual o impacto no dia-a-dia.

Confesso que a altura se presta ao desafio: ninguém próximo faz anos nos próximos tempos e o Natal e todas as suas tentações ainda estão distantes. Por outro lado, parece que o frio veio para ficar e a chuva e as tardes quentinhas em casa, facilmente associadas a um chocolate quente, aproximam-se. Mas é tudo uma questão de controlo mental e força de vontade – porque não procurar o conforto proporcionado pelos doces noutras coisas? Mais alguém alinha? Com companhia, como em quase tudo na vida, será mais fácil e melhor.

 

Este texto foi traduzido para inglês. Clique aqui para ler a versão inglesa.