No passado dia 24 de Setembro voltei a Serralves para a Festa de Outono. No ano passado lá fui eu, sozinha, de propósito para ir aprender a fiar lã numa roda de fiar. Este ano voltei acompanhada por uma amiga e, não só pela companhia, mas pelas aprendizagens com que de lá vim, foi tão melhor!

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Para quem se interessa pela lã e deseja conhecer mais sobre esta fibra, nada melhor do que seguir o blogue do protejo Saber Fazer, da Alice Bernardo. A Alice está a fazer um profundo trabalho de investigação e, sobretudo, de registo escrito de vários ofícios, incluindo o das fibras têxteis (linho, seda e lã). É neste sentido que sigo o seu trabalho atentamente.

A lã, tal como as outras fibras têxteis, é utilizada pelo homem há séculos. Em Portugal, contudo, este conhecimento de como se trabalha a lã foi passado de geração em geração, através de ensinamentos verbais, não havendo muitos registos físicos. Dada esta necessidade, a Alice Bernardo tem vindo a trabalhar na catalogação das várias raças autóctones de ovelhas portuguesas.

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Exposição de Alice Bernardo, no âmbito do projeto Saber Fazer, sobre as lãs portuguesas.

O fruto desse trabalho deu origem a uma pequena exposição, que a Alice apresentou em Serralves, onde mostrou os velos de cada raça. Ao todo existem 16 raças autóctones no nosso País e a exposição mostrava as características gerais de cada uma incluindo, além de uma pequena amostra do velo, o nome e origem da raça e o preço médio da lã por quilo.

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Exposição de Alice Bernardo, no âmbito do projeto Saber Fazer, sobre as lãs portuguesas.

Durante a visita guiada à exposição a Alice mostrou-nos como se carda e fia a lã. E, acreditem: apesar do meu conhecimento prévio (tudo o que sei tem sido fruto de experiências e pesquisas autónomas) aprendi imensos detalhes deste processo que fazem toda a diferença! Aprender com quem sabe é do melhor porque há pormenores que só se apanham mesmo junto de alguém que percebe muito do assunto. Percebi que ainda estou a léguas de saber tudo deste mundo da lã…

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Velos de lã na festa de outono em Serralves.

E, que sorte a nossa (!), também pudemos estar com o engenheiro representante da Associação dos Criadores de Bovinos de Raça Barrosã (AMIBA) que nos fez uma contextualização super importante sobre a necessidade de preservamos as nossas ovelhas – sobretudo a Ovelha de Raça Bordaleira de Entre Douro e Minho que se encontra, neste momento, quase em vias de extinção e que foi, para mim, a Rainha da Festa. A sua lã é mesmo muito fofinha e merece toda a preservação possível!

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Ovelhas Bordaleiras.

Vim de Serralves maravilhada com o que aprendi e, mais uma vez, faço o apelo – principalmente a quem faz tricot ou compra peças feitas por medida – para que tentem sempre ao máximo valorizar a lã portuguesa. Felizmente já existe oferta a preços acessíveis! Ao comprarmos lã de ovelhas portuguesas estamos a contribuir para a preservação das raças autóctones, a valorizar o trabalho dos pastores e de todas as pessoas envolvidas no trabalho da lã, a proteger o ambiente (reduzindo as distâncias de transportação desde a matéria-prima até ao produto adquirido pelo consumidor final) e a preservar artes milenares.

 

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