A matemática diz nos que dá menos, mas eu descobri que dá mais, e vou contar-vos como é que fiz as minhas contas.

O meu cálculo chama-se minimalismo, e é bem mais fácil de perceber do que qualquer equação que vos tente explicar. Há pouco mais de um ano, despedi-me do típico emprego bem pago, que me permitia ceder a todos os meus caprichos, para me dedicar a uma carreira a solo.

Como aventureira que sou, despedi-me sem ter uma carteira de clientes, rede de contactos, website, enfim uma estrutura. Comecei do zero. Num dia vivia com muito, e no seguinte acordei a contar tostões… e acreditem eu estava super entusiasmada com a minha escolha, mas ao mesmo tempo apreensiva. Será que me ia adaptar a voltar a ter um estilo de vida mais comedido?

Das poupanças que tinha fiz um calculo que me permitia auto sustentar durante 6 meses, a partir daí logo se via. Neste cálculo estavam incluídos os básicos para a sobrevivência humana: alimentação, despesas fixas e cem euros para extravagâncias.

O tempo foi passando, e aquilo que começou por ser uma preocupação, tornou-se numa grande satisfação. Aos poucos deixei de sentir necessidade em comprar coisas, ter mais, acumular. Deixei de ir a centros comerciais na época dos saltos só porque sim, e em casa mantive só os objectos que realmente uso, ou que têm significado para mim. Comecei a dar mais valor ao que tinha, e foquei todas as minhas energias não no que não tinha, e na falta de dinheiro, mas no meu crescimento pessoal.

Uns meses depois de todas estas mudanças, descobri ao acaso que existe uma palavra isto: minimalismo.

O minimalismo é nada mais nada menos do que simplificar tudo o que está à nossa volta. Objectos, pessoas, relações, compromissos. Tudo o que vos fizer sentido. O objectivo é simples, ter uma vida mais feliz e plena, e retirar o peso de todas as obrigações do dia a dia.

Sejamos realistas, o minimalismo não vem acabar com o emprego que não nos satisfaz, mas mostra-nos que existem dois lados para ver uma mesma moeda, e dá-nos ferramentas para criar espaço nas nossas vidas para as coisas e relações que são realmente importantes para nós.

O minimalismo defende que devemos eliminar tudo o que está a mais nas nossas vidas, e este como devem imaginar, não é um exercício fácil nem rápido. É uma busca constante, e no limite, uma forma de estar na vida.

Retirar o que está a mais permite-nos dar espaço para o que nos faz sentido.

Estamos a viver num mundo em que o que interessa é acumular coisas, ter mais de tudo; passamos os dias a compararmo-nos com os outros, e muitos de nós a viver de aparências. Mantemos relações, sejam de amizade ou amorosas, com pessoas que nos dizem assim tanto, e preocupamo-nos demasiado com o que pensam de nós, e nas coisas que não conseguimos controlar.

O minimalismo vem mostrar-nos que a nossa felicidade depende das nossas escolhas, que se faz de uma forma consciente, e que se constrói aos poucos. É um exercício de auto-conhecimento, e de libertação de lixo, físico e emocional.

Por onde começar?

Hoje em dia há muita informação, e várias formas de abordar esta temática.

Trago-vos dois clássicos para se iniciarem neste mundo maravilhoso. Os “the minimalists”, dois americanos que se focam no minimalismo enquanto estilo de vida, e que espalham a mensagem em formato podcast, texto e até têm um documentário.

Se estivermos a falar do minimalismo físico e mais centrado nos objectos, temos o método infalível “konmari”, escrito pela japonesa Marie Kondo (existe também a app KonMari que nos ajuda a destralhar tudo o que está a mais lá por casa). No facebook existem vários grupos de partilha, que nos mostram que não estamos sozinhos. Pesquisem por minimalismo e inspirem-se!

Acredito que este seja um tema que veio para ficar. Gosto de pensar que estamos cada vez mais conscientes de que a forma acelerada e competitiva em que vivemos não nos beneficia em nada, e sei, por experiência própria, que precisamos todos de mais minimalismo nas nossas vidas.

 

Este texto foi traduzido para inglês. Clique aqui para ler a versão inglesa.