Há uns tempos deparei-me com uma imagem no Facebook que me despertou a atenção, na qual a autora mostrava todos os produtos tóxicos de que se livrara nos últimos anos. Porém o que me escandalizou não foi estar perante um conjunto de itens marcados com o famoso símbolo da caveira. Tratavam-se de detergentes para a casa, cosméticos, produtos para a higiene e cuidado do corpo. Lembro-me que se incluíam também frigideiras anti-aderentes e que a colecção díspar me pareceu caricata e, honestamente, exagerada. Como diria o meu irmão, “estes eco-bacanos são malucos”.

Entretanto o tempo passou e, voluntariamente ou não, fui tendo contacto com mais informação sobre os produtos que adquiro cá para casa e a reflectir naquela fotografia. Termos e valores que na altura me eram estranhos começaram a definir as minhas escolhas, baseadas num consumo consciente. Comecei a ler listas de rótulos – nomes estranhíssimos! – e a assustar-me com potenciais efeitos que estes poderiam ter na minha saúde. Comecei a ficar confusa! Se a ignorância é uma bênção, o excesso de informação também não facilita.

Quase como na fotografia que em tempos desdenhara, a minha casa foi-se libertando de produtos que outrora considerei seguros. Comecei nos detergentes, uma vez que a pele é o nosso maior órgão e a roupa está permanentemente em contacto com ela. Foi por esta altura que conheci a Origami Kids, uma empresa vocacionada para bebés e crianças, responsável pela venda online de diversos produtos cuidadosamente seleccionados. O que me chamou a atenção não foi propriamente o facto de estar enquadrada no nicho para a qual esta empresa se orienta – não há por cá bebés, ainda! -, mas pela maneira directa e esclarecedora com que apresentam a sua oferta. Desde informação sobre ingredientes nocivos a evitar na escolha dos detergentes da roupa, a artigos sobre a constituição do gel de banho, passando pela motivação que levou estes dois médicos a criar a Origami Kids. Comecei a sentir que tinha ao meu alcance o poder para fazer escolhas reflectidas e, a partir do momento em que comecei a adquirir alguns dos seus produtos, sei que dificilmente voltarei aos que habitualmente comprava.

Depois dos detergentes a minha atenção virou-se para os cosméticos. Ao fim e ao cabo, estes também se encontram em contacto permanente com a minha pele e são constantemente absorvidos por ela. Para saberem um pouco mais sobre a história dos cosméticos e as políticas que encaminham um produto do laboratório até ao consumidor, convido-vos a assistir a este vídeo.

Porém ainda não me sentia completamente satisfeita. Se nutro o meu corpo com o que como, então não vejo razão para não aplicar a mesma máxima ao que aplico na pele. E foi assim que me aventurei a fazer os meus primeiros produtos com ingredientes existentes cá em casa.

Whipped Body Butter 2

Trago-vos assim uma receita de whipped body butter à base de óleo de côco. Esta pode ser confeccionada com produtos facilmente acessíveis, como é o caso do óleo de amêndoas doces, o óleo de argão e o extracto da árvore do chá. Combinados estes ingredientes conseguimos retirar o máximo das suas propriedades anti-inflamatórias, anti-bacterianas, cicatrizantes e regeneradoras num suave creme apto para o corpo, lábios, pés e mãos secas.

 

E não se esqueçam, menos é mais!

Whipped Body Butter

Ingredientes

  • 1 cup de óleo de côco (frio, em estado sólido)
  • 1 colher de chá de óleo de amêndoas doces
  • 1 colher de chá de óleo de argão
  • 2 gotas de óleo essencial de extracto de árvore do chá

Preparação

Colocar todos os ingredientes (de preferência biológicos) numa batedeira de culinária. Misturá-los em potência alta por um minuto. Guardar num frasco (não necessita de frio).

Sugestão de utilização: para quem tem mãos muito secas, aplicar o creme à noite e dormir com umas luvas velhas calçadas. Retirar de manhã.

Whipped Body Butter 2