Os alimentos probióticos têm sido alvo de interessantes pesquisas ultimamente. Estes funcionam em parceria com os prebióticos, alimentos ricos em fibras insolúveis e hidratos de carbono complexos (batata doce, alho, cebola, tomate, banana…), os quais estimulam o crescimento de bactérias benéficas para a nossa saúde. Estas fazem parte do nosso microbioma, o conjunto de microrganismos que participam na nossa biologia. Atualmente fatores como o consumo de alimentos provenientes da agricultura intensiva, os processados, o uso excessivo de antibióticos, mas também o elevado número de partos por cesariana e o aleitamento artificial, interferiram negativamente no nosso microbioma. Consequências, portanto, de uma vida demasiado industrializada, urbanizada e medicalizada.

Como recentes investigações têm demonstrado, o impacto da flora intestinal na nossa saúde é superior ao que até recentemente acreditávamos: as nossas queridas bactérias atuam não apenas no nosso bem-estar físico, mas também emocional e psicológico. Esses microrganismos, porém, têm de ser alimentados com os alimentos corretos, caso contrário acabam por se servir do revestimento dos intestinos onde vivem. Sim. Elas começam, literalmente, a comer-nos vivos, provocando uma resposta inflamatória no nosso organismo. Já não vos parecem assim tão queridas essas bactérias, pois não? É aqui que entram também os probióticos, os quais ajudam a otimizar as suas funções, desde que o alimento apropriado lhes seja fornecido.

No momento em que vos escrevo acabei de me deliciar com um copo de kefir. Este é um alimento funcional, um leite fermentado com bactérias e leveduras de sabor ligeiramente ácido, que algumas fontes relatam ter aparecido na zona do Cáucaso há muito tempo atrás. É também um probiótico de elevado valor nutricional com capacidades terapêuticas várias: reforço do sistema imunitário, restabelecimento da flora intestinal, diminuição do LDL ou diminuição do risco de cancro.

Até recentemente o meu conhecimento sobre este tema era quase nulo. Sabendo que me exercito e alimento convenientemente (meninas, porque fogem tantos dos hidratos?…), não percebia contudo porque adoecia constantemente. Rinites, otites, faringites, gastroenterites, três vezes me receitaram antibióticos no ano passado e foi a contorcer-me de dores que entrei em 2017. Até que a Sara Oliveira, autora do delicioso blogue Nem acredito que é saudável e também naturopata, me sugeriu incluir os probióticos na minha alimentação. Foi assim que comecei a tomar meio copo de kefir diariamente.

Este alimento não é vendido, mas doado. O procedimento é muito simples: para uma colher de sopa de grãos de kefir (os tais que um simpático estranho com quem marcam um encontro vos oferece) usam até 500ml de leite animal. Colocam num recipiente de vidro esterilizado estes grãos e o leite. Tapam com uma gaze e um elástico e deixam repousar 24h à temperatura ambiente. No dia seguinte coam (não utilizando metal) e bebem. É tão simples quanto isso. Repetem o processo e os grãos vão-se reproduzindo até terem a vossa própria colónia que vos permita também doar uma parte.

Quando comecei temi que fosse assassinar rapidamente os grãos. Lembrei-me da grande chacina dos bichinhos da seda quando era criança e pensei que estes fossem ter o mesmo fim. Até agora estão bem e recomendam-se. O problema no início era habituar-me ao sabor, então pesquisei receitas que me permitissem incorporar o kefir mais facilmente na minha alimentação. Agora já me habituei e não me custa beber meio copo todos os dias ao lanche. A lactose praticamente desaparece depois do leite estar fermentado, o que ajuda à sua digestão. Não me agradou muito reintroduzir leite (mesmo que biológico) na minha lista de compras e o kefir de água não tem tantas propriedades benéficas como este, pelo que o próximo passo passa por experimentar alimentar os grãos com leite vegetal, o que pelos vistos não é impossível desde que esporadicamente volte a mergulhá-los em leite animal para os “acordar”.

Foi assim que encontrei e adaptei esta receita fantástica de panquecas que vos trago hoje e que espero venham a experimentar!

Panquecas de coco, manteiga de amendoim e kefir

 

Ingredientes

  • 2 ovos biológicos à temperatura ambiente
  • 2/3 de uma chávena de leite de kefir + um pouco para servir
  • 1/3 de uma chávena de manteiga de amendoim
  • 1/4 de uma chávena de farinha de coco
  • 1 pitada de sal
  • 1/4 de uma colher de chá de bicarbonato de sódio
  • 1/2 colher de café de óleo de coco
  • 1 kiwi

 

Preparação

Numa taça juntar todos os ingredientes secos. Noutra bater os ovos até que fiquem espumosos. Adicionar o kefir, a manteiga de amendoim e depois os ingredientes secos, envolvendo. Deixar a massa repousar uns minutos.

Aquecer uma frigideira pequena com o óleo de coco. Espalhar bem. Colocar meia concha de sopa nesta frigideira e deixar que cozinhe de um lado. Virar e cozer do outro. Servir com fruta e um pouco mais de kefir por cima (atenção: quando o kefir é sujeito a temperaturas elevadas perde algumas das suas propriedades).

 

Nota: receita adaptada de Cultures for Health.

 

Este texto foi traduzido para inglês. Clique aqui para ler a versão inglesa.