Deixam-me refrescar-vos a memória: no dia 24 de abril de 2013, nos arredores de Daca, no Bangladesh, desabou um prédio que alojava fábricas de têxteis. Morreram 1129 pessoas. Infelizmente não foi o primeiro acidente do género a acontecer naquele país, nem será o último, mas foi sem dúvida um acontecimento que mudou o mundo.

Desde então são cada vez mais os movimentos e pessoas que lutam contra a indústria da fast fashion e é sobre isso que vos escrevo hoje.

O Bangladesh fica bem longe do nosso jardim à beira mar plantado, tão longe, que é difícil colocarmo-nos na pele destas pessoas e destas famílias. Imaginar o terror pelo qual passaram. No entanto, quando um evento destes acontece é responsabilidade de todos, minha, tua, do vizinho e da tia.

Porquê?

Podemos pensar que somos nós, o consumidor comum de fast fashion que paga os salários destas pessoas. Eu pensei nisso na primeira vez que fui ao Bangladesh. Pensei como estas pessoas eram sortudas porque Zara e companhia faziam as suas peças no Bangladesh, quase como se fosse um favor que estivessem a fazer àquelas pessoas. Hoje sinto muita vergonha por já ter pensado assim.

Já tinha lido algumas coisas sobre este assunto, mas foi só quando vi o documentário THE TRUE COST que me caiu a ficha – ou deverei dizer, o top que comprei por cinco euros nos saldos da H&M? O documentário vai para além do óbvio, das condições precárias dos trabalhadores destas fábricas. E mostra-nos outras dimensões de um problema que nos é tão distante: os fatores ambientais, os biliões que esta indústria lucra à custa de países em desenvolvimento, a saturação do mercado, a desvalorização dos bens de consumo, etc. Se ainda não viram o documentário por favor vejam, está disponível no Netflix.

Voltando à responsabilidade que todos temos, de que forma então podemos mudar?

Esta é uma resposta sensível, e muito pessoal. Pela minha perspetiva a solução não passa só por comprar roupa e acessórios de comércio justo e algodão orgânico, até porque isso não é acessível a todos. A forma mais imediata que temos de travar o crescimento desta indústria é simplesmente deixar de comprar.

Todas as semanas chegam peças novas a estas lojas. A maioria de nós tem roupa que não usa, não precisa, e muitas vezes nem se lembra que tem. Vão ao baú e reutilizem o que já têm, criem uma nova ligação com as vossas peças.

Ainda dentro da responsabilidade que temos, há mais que podemos fazer. A Fashion Revolution, que nasceu um ano após a tragédia no Bangladesh, organiza todos os anos, na semana de 24 de abril a FASHION REVOLUTION WEEK. Nesta semana decorrem várias iniciativas por todo o mundo, que visam sensibilizar o consumidor comum sobre quem fez as suas roupas, perceber formas alternativas de comprar, materiais a usar, etc. É uma semana carregada de informação.

Em Portugal, somos uns sortudos, e temos uma plataforma dedicada só a nós. É um recurso que temos disponível e que devemos utilizar. É a nossa obrigação enquanto cidadãos questionar, participar e ter uma voz ativa na construção de uma sociedade mais justa e equilibrada.

A página da FASHION REVOLUTION PORTUGAL está cheia de informação útil, por isso o meu apelo é só este: vejam o documentário, visitem as páginas do movimento nas redes sociais, participem e passem a mensagem.

BÓNUS: Este ano a MW estará envolvida na FASHION REVOLUTION WEEK. Sabe mais aqui.

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