“No fundo, a Fotografia é subversiva, não quando assusta, perturba ou até estigmatiza, mas quando é pensativa.”

in Câmara Clara, de Roland Barthes

Ao reflectir sobre o conceito de subversão, questiono-me sobre a possível existência de dois pontos de vista. Por um lado, aquele de quem faz a fotografia e por outro, o de quem a vê – o espectador. A fotografia torna-se subversiva para o espectador quando a vê e é incitado a pensar e a reflectir perante este “objecto que fala”. O espectador assume, desta forma, esse papel e torna-se pensativo diante da imagem. Em contrapartida, aquele que capturou o momento, pode ou não ter tido a intenção de provocar uma dada reflexão sobre o que conduziu àquela circunstância.

Fotografia tirada por Nilüfer Demir a Aylan Kurdi

Barthes refere que a Fotografia é subversiva “não quando assusta, perturba, (…) mas quando é pensativa”. Na verdade, o que nos assusta ou perturba tem pouco impacto, por ser algo passageiro. O mesmo não sucede quando nos questionamos sobre as causas de um determinado acontecimento. Deste modo, o acto de pensar pode levar a variadíssimos caminhos, desde a tomada de uma posição/opinião, a uma simples reflexão ou mesmo, a uma acção futura. A título de exemplo, serve a fotografia tirada pela fotojornalista turca Nilüfer Demir a Aylan Kurdi. Pode-se dizer que esta imagem é subversiva, não só pela forma como Kurdi é imortalizado, mas também, pelo debate provocado. Neste caso, não seria uma atitude de compaixão que se esperaria, mas sim uma postura crítica.

Assim sendo­, será que a fotografia subversiva (enquanto modo de reflexão), poderá conduzir a uma consciencialização do que nos rodeia e, consequentemente ao perturbar o espectador, levá-lo a agir?

 

Este texto foi traduzido para inglês. Clique aqui para ler a versão inglesa.