De fellare, do latim, que significa “sugar” ou “chupar” e que implica um agente passivo (o que chupa) e um agente ativo (o que é chupado).

O felácio, comum broche, é uma prática compreensivelmente popular: Não obstante, potencialmente sórdido, já que o confronto entre cavidade bucal e pénis sequioso é uma dinâmica que implica vários órgãos dos sentidos, nem sempre estimulados pelos melhores motivos.

Os olhos, para começar. Um pénis que atraia vai promover a aproximação. Outros pénis, nem tanto. Se houver boa química entre o duo óculo-peniano passar-se-á ao escrutínio olfativo. Higiene e limpeza são imperativas para convidar à derradeira prova gustativa ou levar à desistência da mesma. Afinal, os obstáculos são muitos e toda a motivação conta.

O início não é necessariamente desairoso. Os problemas surgem normalmente quando é requerida grande velocidade ou sucção intensa por períodos prolongados – atividades implicadas na causação do desgaste progressivo das interseções da mandibula. A frequência e intensidade da sução vão determinar a agudez e/ou cronicidade dos sintomas. O prognóstico é mais otimista se o sofrimento lancinante se encontrar circunscrito ao ato sexual. Já no advento de impedir a fruição de uma maçã de dureza média devido à emissão dolorosa de estalidos ensurdecedores estamos já na presença de um diagnóstico estável de síndrome do maxilar desmontatório.

Há alguns fatores de resiliência individual que podem atrasar ou impedir o desenvolvimento desta perturbação da mesma forma como alguns indivíduos conseguem evitar desastrosos reflexos de vómito no fantasiado momento em que o pénis roça a epiglote.

Por fim, no caso de o felácio ser um fim em si mesmo, dá-se um aviso “aí, assim venho-me”, e em sequela uma sucessão de ruídos guturais de puro prazer. Na boca cresce um líquido espesso que, de repente, não sabemos que destino dar. Engolir, cuspir, babar, eis a questão.

 

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