Wabi-sabi  (侘寂)

(n.) modo de viver que se concentra em encontrar beleza nas imperfeições da vida e aceitar de forma pacífica o ciclo natural de crescimento e declínio.

No meu último artigo, falei-vos de mono no aware e de uma certa apreciação delicada da melancolia perante a ideia de que tudo tem um fim. Wabi-sabi, à semelhança de mono no aware representa esta inegável visão do mundo japonês, de uma concepção estética centrada na aceitação da transitoriedade e imperfeição.

Wabi-sabi Ensō

Melancolia, simplicidade, rusticidade, imperfeição, marcas de tempo, assimetria, humildade, natureza. Wabi-sabi é tudo isto, em simultâneo e muito mais. Para entender a sua essência, é preciso apelar aos sentidos, à sensibilidade e à razão.

Leonard Koren, o autor de Wabi-Sabi para Artistas, Designers, Poetas e Filósofosdedicou-se à integração deste conceito japonês na teoria estética ocidental. No seu livro, encontra-se uma bonita descrição: “Wabi-sabi é a beleza das coisas imperfeitas, impermanentes e incompletas. É a beleza das coisas modestas e humildes. É a beleza das coisas atípicas.” Assim sendo, podemos encontrar a beleza em qualquer lado. No lugar mais discreto, profundo e esquecido e, até mesmo no objecto mais insignificante, defeituoso e decadente.

Esta apreciação estética encontra as suas origens no Budismo Zen. Koren terá designado Wabi-sabi como o “Zen das coisas”, já que o mesmo põe em prática parte dos princípios espirituais / filosóficos do zen: contemplação, humildade, serenidade e desapego. Desta forma, espera-se um estilo de vida banal que tenha em consideração o desapego pelas coisas, a insuficiência e as imperfeições.

Chávena de chá Wabi-sabi

Wabi-sabi está igualmente relacionado com o Chanoyu. Não é pois coincidência que, Murata Shukō, o primeiro mestre de chá Wabi-sabi fosse um monge zen. Na época, o chá era alvo de uma sumptuosa cerimónia, visto que a sua loiça era importada da China e, bastante luxuosa. Opondo-se a esta corrente, Sen no Rikyū, filho de um comerciante e futuro fabricante de chá, substituiu as peças luxuosas chinesas por artesanato local e criou uma casa de chá baseada no modelo de caça camponesa. Nascia, assim, o Wabi-sabi e o seu espírito perduraria.

Segundo Koren, três são os fundamentos que melhor descrevem os valores espirituais do Wabi-sabi:

  • A verdade deriva da observação da natureza.
  • A “grandeza” reside nos detalhes mais discretos e negligenciados.
  • A beleza pode ser obtida através do que é feio.

Na verdade, Wabi-sabi significa dedicação ao que é essencial, libertação do que é supérfluo, aceitação do inevitável e da impermanência, a não procura da perfeição e o “ser” simplesmente. Noção esta, bastante enraizada na busca do japonês pela simplicidade e subtileza.

Cada um de nós carrega dentro de si o suficiente para se sentir belo e feliz e é nesse sentido que devemos dirigir a nossa atenção – para o que é essencial a todos nós. Assim, é num escape aos parâmetros da moda e dos critérios dominantes de beleza e perfeição que podemos alcançar alguma quietude nas nossas vidas, aceitando-nos e tornando-nos o que realmente somos.

 

Para ler este texto em inglês clique aqui.

Click here to read this post in English.